terça-feira, 30 de agosto de 2011

Capítulo 17



Fechei a porta e fiz o caminho até à sala com um sorriso na cara que era capaz de iluminar o mundo.
Atirei-me para o sofá e encostei a cabeça sobre a sua cabeceira.
-Ai Maria o que é que tu estás a fazer.-sabia que o que o Ruben tinha feito tinha sido uma das maiores provas de amor que me tinham sido dadas.na primeira oportunidade que teve nem pensou duas vezes antes de largar tudo e vir atrás de mim,tentando-me fazer mudar de ideias,demonstrar o seu amor por mim,não querendo saber das minhas tentativas para o afastar.
Ainda tentava perceber se tudo isto era verdade,se um homem como  ele me amava.
Acabei por me levantar a correr quando ouvi o meu telemóvel tocar na cozinha.
Não era ele,mas era uma pessoa que me fazia muita falta,devido à distância a que nos encontrávamos.
-Sarinha,meu amor!-podia conhecer a minha menina à pouco tempo mas era das melhores pessoas que se tinham cruzado no meu caminho.Das mais sinceras,puras que tinha conhecido até hoje.
-Maria!Como estás minha linda?-o tom da sua voz caracteristicamente animado fez-me soltar um sorriso.
-Estou bem.E tu?Como está o caracolinhos?-tanto a Sara como o David eram pessoas fantásticas que mereciam tudo o que a vida tinha de melhor para lhes dar.Eram pessoas sensacionais e por isso também tão importantes na vida do Ruben.Sabia que ele poderia contar com o David para tudo,eram como irmãos.
-Estamos os dois bem.Ele está no treino.
-Ainda bem.
-Ele disse-me que o Ruben tinha ido até ai a cima....
-Sim veio.
-Estiveram juntos então...
-Sim estivemos.Ele foi embora à pouquinho...-acabei por soltar um suspiro quase inaudível ao relembrar que ele já se tinha ido embora.
-E então?Como estão as coisas?
-As coisas,as coisas estão iguais.
-Mas passou-se alguma coisa?
-Bem,nós...-soltei um sorriso ao lembrar-me do que se passara nessa tarde-nós beijamo-nos
-O quê?Beijaram-se?!-a Sara com o entusiasmo acabou por elevar o seu tom de voz-Oh Maria isso quer dizer alguma coisa!Falaram sobre vocês?
-Sim falamos Sara.Eu voltei a dizer-lhe que o melhor era cada um seguir o seu caminho,que era o melhor para nós os dois.Mas ele não aceitou,nem concordou com tal coisa.-encostei-me sobre a bancada da cozinha-Ele veio cá almoçar e estivemos a falar,mas ligaram-lhe do clube e ele teve que voltar para Lisboa.
-E as coisas ficaram assim?
-Ficaram.Ele deu-me tempo para pensar.
-E tu vais pensar!Maria diz me uma coisa se vocês gostam um do outro porque andas a tu a sofrer e a fazer sofrer o Ruben.
-Achas que eu quero Sara?-acabei por alterar o meu tom de voz-Eu faço-o porque como tu disses-te,gosto dele.Gosto muito,muito dele!Mas nós somos diferentes demasiado diferentes!
-E eu e o David não somos?Maria tu achas que os primeiros tempos foram fáceis para mim?Ter toda a gente de olhos postos em mim,ver a minha vida a ser invadida,ver a privacidade dos meus próprios pais a ser invadido.E os meus pais,achas que eles reagiram bem ao facto de namorar com um jogador de futebol?Uma pessoa que toda a gente acha que é instável em qualquer relação e que tem uma grande probabilidade de ter que abandonar o pais onde está por motivos profissionais.Ainda por cima o David Maria!O menino bonito do Benfica,que tem carrada de mulheres atrás dele!
Maria tive pessoas que não falavam comigo à anos a ligarem-me para combinar jantares e cafézinhos!Sabes foi nesses tempos que eu me apercebi quem eram os meus verdadeiros amigos.Agora pergunto-te ,achas que foi fácil para mim?
-Eu sei que não foi Sara....-eu sabia perfeitamente que não o foram.E era esse o meu maior medo,não queria que o mesmo acontece-se comigo.Não queria me magoar e saberia que os meus pais nunca iriam aceitar.
-Pois não.Mas sabes que mais.Depois de ver a minha vida invadida,de inventarem mentiras sobre mim e a minha família,de me desiludir com muitas pessoas que considerava como irmãs olhava para o lado e tinha lá o David.Foi por ele que aguentei tudo.E sabes que mais?Aguentei,e voltava a aguentar tudo de novo!
-É diferente Sara.Tu sabes....és mais velha,mais madura,e além disso a distância entre vocês não é tanta.
-Sabes que o amor suporta tudo.E quanto a vocês os dois só tenho uma coisa a dizer.Estás sempre a dizer que cada um tem de seguir o seu caminho não é?-ela fez uma pequena pausa-Pois eu digo-te que os vossos caminhos estão cruzados meu amor.E isso,por mais que tentes,não vais conseguir mudar.
Não consegui mais nada,apenas remeter-me ao silêncio.
-Pois Sarinha,mas mudando de assunto,quando me vens visitar?-o assunto Ruben já me estava a incomodar.Tinham sido demasiadas conversas “pesadas” nos últimos tempos e o que eu queria era um pouco de paz para ajudar a colocar as ideias em ordem.
-Isso digo eu!Ainda há poucas semanas ai estive.E agora com a faculdade sabes que é complicado.
-Está bem.Eu queria ver se ia aí ver um jogo ou se não para estar com o meu primo e com vocês.Por mim ia já.
-E faltavas as aulas!Os teus pais matavam-te mulher!
-Oh eu não ia faltar,mas olha que os meus pais também não estão cá!Estão ai na capital em negócios.
-Ah então a menina está sozinha.
-Estou sim.
-Veja se tenha juízo ouviu?
-Sim meu amor!
-Linda tenho o David em espera vou desligar sim?
-Sim amor!Vai lá pro teu mel!Manda beijinhos pro caracolinhos!
-Mando sim meu amor.
-Beijinhos!
-Beijinhos!E Maria?
-Sim.
-Pensa no que te disse sim?
-Sim amor,não te preocupes.
Pousei o telemóvel na bancada e fui até à sala para a acabar de arrumar.
Aproveitei também para estudar e acabar um relatório para Química que tinha de entregar no dia seguinte.Imprimi-o  e encadernei.Olhei para o relógio e já passavam das seis da tarde.
O meu irmão ainda não tinha aparecido em casa,por isso aproveitei para lhe mandar uma mensagem

Olá desaparecido!Nem se vêm a casa ver se a manhinha está viva?
Vens jantar?Beijinho

A sua resposta não tardou a chegar.

Oi maninha!Desculpa mana mas tenho andado na típica correria do trabalho e dá sempre mais geito
ficar na casa da namorada.
Sorry maninha hoje vamos jantar e não durmo em casa!Só devo voltar mesmo depois do fim-de-semana.Ficas bem?

Está bem!Dá mais geito dá!Tu  sábe-la toda!Está bem mano!Não te preocupes que fico bem.Aproveita!
Beijinhos

Segui até ao quarto e deitei-me sobre a cama,para momentos a seguir voltar a levantar-me e fazer um trajecto de novo até à cozinha.Abri o frigorífico e reparei que havia comida para o jantar.O problema é que tinha de ser cozinhada e não me estava nada apetecer cozinhar.
Voltei ao quarto peguei no telemóvel e liguei para a Rita.
-Rituxa!
-Oi oi beleza!-o sotaque forçadamente brasileiro misturou-se com o ruído de fundo.
-Epah lá estás tu a falar brasuca de novo!E que barulheira é esta?
-Musica amorzinho!E deixa lá a tua brasileira em paz!
-“A tua Brasileira”...Tu sabes muito loirinha!-chamei-a carinhosamente.Conhecia a Rita desde os meus quatro anos e éramos amigas desde então.Ela era alta,olhos verdes musgo e um cabelo cor de ouro cacheado que lhe cobria as costas quase por completo.-Olha lá,não me está a apetecer cozinhar alinhas num jantar no cais?
-Sim amor!-o entusiasmo da sua voz fez com que solta-se uma gargalhada.
-Oh mulher quem te ouve até parece que nunca vieste jantar fora!Tu queres é samba e feijão  preto!
-tá calada.Vou ligar á Tixa e a Paulinha para virem também.
-Está bem.Encontramo nos ás oito cá em casa,está bem?
-Na boa garota!-acabei por revirar os olhos com a persistência dela em falar brasileiro.Até que achava piada ao geitinho de menina dela e com aquele sotaque conseguia enganar muita gente.
-Beijos.
-Beijos amorzão!
Caminhei até ao meu quarto e tomei um duche rápido.Estávamos no final de Abril,e a noite estava amena.Vesti algo mais arrojado mas sempre acompanhado por um casaco,não fosse o tempo pregar-me uma partida.Penteei os meus longos cabelos e deixei-os ao natural como tanto gostava.


O som da campainha fez com que move-se o meu corpo até ao hall de entrada para abrir a porta.
-Boa noite-os três rostos familiares e sorridentes invadiram a minha casa num ápice-estas pronto guapa?
-Bem é uma com o brasileiro ,outra com o espanhol,Tixa tu vais falar o quê?
-Eu-ela arregalou ligeiramente os olhos,arqueou as sobrancelhas e apontou com o dedo indicador para si mesma-eu fico-me pelo português!Essas duas é que são muito poliglotas,já não sabes!
-Eu sei que sou muito inteligente mas agora levantem o traseiro do sofá e vamos jantar!
-Eih loirinha tem calma!
-Eu com o brasuca e tu com o loirinha!-ripostou com a mão na anca e o indicador levantado no ar.
-Cada uma com a sua!-disse pegando no meu casaco encaminhando-me para a porta.
Saímos e seguimos no carro da Tixa até á zona do Cais.
-Indiano?-a Tixa rodou suavemente a cabeça para trás encarando-nos.
-Pode ser.
-Mas isto hoje é brasileiro,espanhol,indiano...Deus me livre!-ripostei após o sinal passar de vermelho para verde.
A Tixa estacionou o carro e seguimos até ao restaurante.Adorava lá ir.Era sobre o cais e tinha uma vista fantástica para o Rio Douro.Acabamos por nos sentar devido ao pouco movimento habitual num dia de semana.
A conversa fluía agradavelmente aquelas três eram comédia,então quando se juntavam elas e um jarro de Sangria a coisa ficava ainda pior.
-Vou à casa de banho.-pousei o guardanapo que estava sobre os joelhos na mesa de tolha cor encarnada.
-Eu vou contigo-levantou-se a Tixa a seguir.
-Olha alá a era em que uma ia á casa de banho e as outras iam atrás já passou-disse ao relembrar os belos momentos de infância que tínhamos passado juntas-vocês as duas também não querem vir?Havia de ser bonito ,o empregado a chegar aqui e nós as quatro enfiadas na casa de banho.
Aquela visão fez com que todas nós soltássemos umas fortes gargalhadas o que despertou a atenção das poucas pessoas presentes naquele espaço.
-Mas vamos lá que já esta toda a gente a olhar.Até já!
Encaminhamo-nos as duas até á casa de banho onde as paredes eram decoradas com imagens alusivas ao pais asiático e onde a música que parecia saída de um filme de Bollywood reinava.
Fui até á casa de banho enquanto a Tixa ficou no exterior a retocar a maquilhagem.Quando sai daquele pequeno compartimento tive uma visão que me fez desatar à gargalhada.A Tixa estava lá no meio a dançar como viamos nos filmes,com o indicador colado ao polegar as mãos no ar,cruzava os braços e cantarolava.
-Que é?
-O que é?É sangria a mais é o que é!-dei-lhe um suave encontrão para poder lavar as mãos.
-Oh!Isto é bem giro!Ainda me vou inscrever numas aulas de danças indianas!-um certo entusiasmo fez com que ela se risse.
-Oh santo Deus!Vocês tem com cada ideia!
-É é tu vais ver!Quando eu souber dançar melhor que aquela gente de Bollywood não me venhas pedir que te ensine.
-Sim amor,vou me ajoelhar a teus pés!
-E eu mesmo assim não vou ceder!
-Ai santa paciência.Anda lá que aquelas duas ainda aparecem por ai.
Saimos da casa de banho em risota ao relembrar o momento de á minutos atrás o que despertou a curiosidade das outras duas assim que chegamos à mesa.
Acabamos por lhe contar o episodio e quando todas nos ria-mos fomos interrompidas pelo som proveniente do meu telemóvel.
Olhei para o visor.Era o Ruben.Um leve sorriso tomou conta da minha face.
-É a minha mãe.Vou atender.Com licença.
Levantei-me da mesa e segui até á varanda do restaurante sobre o cais onde se apreciava a vista sobre a cidade invicta, iluminada por pontos de luz que se refletiam no Rio.
-Olá.
-Olá princesa.Já cheguei.-não disse mais nada escutei apenas a sua voz e assim que a ouvi um sorriso iluminou o meu rosto.-Maria?Estás ai?-a sua voz de anjo voltou a fazer-me despertar para a realidade.
-Ah sim estou!Correu bem a viagem?-pousei uma das mãos sobre a calha de madeira que constituia o gradeamento que separava aquele local do Rio escuro ,onde se podia ouvir uma mistura de sons provenientes da outra margem
-Correu sim!-a sua voz animada fez com que voltasse a soltar um sorriso de menina traquinas.
-Ainda bem.Já jantas-te?
-Não vou jantar com o David e a Sara,e tu?
-Fazem bem.Vim jantar com as meninas ao cais.-relembrei as três curiosas que me esperavam no interior e que me iriam bombardear com perguntas se demorasse muito mais e se voltasse com um sorriso parvo na cara.
-Está bem.
-Bom então vou entrar se não elas estranham.-a minha voz esmoreceu um pouco,por saber que iria de deixar de ouvir a sua bela voz dentro de escassos momentos.
-Vai então princesa.Tenho saudades tuas....-ele arrastou a sua voz que no final foi apenas um murmúrio.
-Ruben...-uma vez mais tentei demovê-lo,em vão.
-Psiu!Ruben nada!Não estragues esta paz que este dia me trouxe.-Sorri ao ouvir o que disse.
-Não estrago não.Só te quero ver bem!-disse com toda a sinceridade do mundo.
-Ainda bem meu anjo.
-Bem vou indo.Manda beijinhos ao David e á minha Sarinha!-a saudade já apertava e tentei não me demorar por muito mais tempo.
-Mando sim!-disse com um entusiamo na voz.
-Beijinhos campeão!Olha que vou estar atenta,por isso é bom que se esforce e se concentre!-acabei por dizer aquilo com um tom autoritário,como se de uma ordem se tratasse o que o levou a soltar uma gargalhada o que me levou a gargalhar também.
-Beijinhos princesa.Adoro-te!
Desliguei e debrucei-me sobre a calha mirando a cidade.E uma paz atingiu a minha aura também naquele dia.Talvez por saber que por fim ele se encontrava bem também.


domingo, 28 de agosto de 2011

Capítulo 16


Almoçamos os dois entre muita conversa e gargalhadas.Provavelmente aquele era o momento mais feliz que tinha tido nas ultimas semanas.
-Os teus pais não estão cá?-disse quando se sentou junto a mim no sofá.
-Não,foram tratar de negócios a Lisboa.
-Então estás sozinha?
-Não o meu irmão está cá no Porto,ainda não o vi hoje nem ontem.Deve estar em casa da namorada.
-Está bem.
-Quando voltas pra baixo?
-Estou a fazer tratamento cá em cima,por isso só vou embora quando o assunto que vim cá tratar estiver resolvido.
-Ruben....
-Ruben nada.Não me disses-te para nunca desistir?É o que estou a fazer.Sempre fui de lutar pelo que queria e foi assim que cheguei onde cheguei.E não vou desistir.
-Ruben percebe que vai ser o melhor.Isto não tem pernas para andar.
-Tem sim.Amor,é o principal.
-Amar por vezes não chega.Ruben é complicado.Estás tão longe.
-Caramba eu tenho folgas posso cá vir,não é assim tão longe.
-Não é assim tão longe?mais de 350 km não é longe?
-Não,nos nossos tempos não é.E tu vais muitas vezes lá em baixo.
-Mesmo que venhas cá na tua folga semanal a nossa relação não vai durar connosco a estarmos juntos uma vez por semana.Ruben admite é fisicamente impossível.
-Não há impossíveis.Quando queremos tudo é possível.Agora tu não quereres é diferente e se assim for não posso fazer nada!
-Eu não querer Ruben?Eu não querer?Estas ultimas semanas foram das piores que tive,não podia sequer ouvir o teu nome e contigo sempre a ligar era difícil conseguir esquecer-te.Mal ligava a televisão,ou comprava um jornal com medo que algo me fizesse recordar de ti,mas isso era mesmo algo impossível.Podemos só ter estado juntos uma semana,mas acredita que foi das melhores semanas que já vivi.Por isso nunca ponhas em causa o que sinto por ti.É por gostar tanto de ti que estou a fazer isto.
-Mas não faças.Sabes ás vezes pensamos que o melhor para alguém é uma coisa,mas acaba por ser totalmente o contrário.Não faças isso,não me afastes de ti.não percebes que as ultimas semanas foram terríveis.Não me conseguia concentrar,mal tinha vontade para sair de casa,andava desconcentrado nos treinos.Como queres que siga em frente sem ti?Dizes que só estás a fazer isto para o meu bem,por causa de mim,mas acredita que estar sem ti tem me feito bem pior.Percebe de uma vez que te AMO!
-Ruben amar....amar é um sentimento muito forte.-disse desviando a pequena mecha de cabelo que cobria ligeiramente a minha face,deixando à vista os meus olhos brilhantes,que se esforçavam para permanecerem assim.
-Eu sei que é,eu sinto-o-senti a sua mão tocar na minha face-deixa-me amar-te.
-Ruben não podemos.Não posso.Não podes.
-Posso.Podemos.-a sua face começou a vir de encontro à minha.
-Ruben-murmurei-não faças isso.
Ele não disse mais nada.Passou suavemente a sua mão pelo meu rosto e o aquilo com que tanto sonhei,tanto ansiei,tanto ansiei ter aconteceu.Os seus lábios tocaram nos meus e uma sensação electrizante passou por todo o meu corpo.Os nossos lábios moviam-se numa perfeita harmonia.
Sentia-me completa,sentia-me amada.Uma das suas mãos largaram a minha face e ele colocou-a sobre as minhas costas ,puxando-me mais para si.
As minhas mãos cruzaram-se sobre o seu cabelo,puxando-o também para mim.As nossas línguas já dançavam num bailado perfeito e estava quase a ficar sem respiração.Ele acabou por pôr fim aquele beijo com uma sucessão de beijos repenicados.
-Amo-te-as nossas testas encostaram-se e os nossos olhares ficaram presos um no outro

-Ruben eu também sinto algo tão forte por ti.Não posso dizer que te amo,mas não podemos,já falamos sobre isso.
-Pois já,mas continuas a ser cabeça dura e não estás de todo a perceber que não vou desistir de ti.
-Mas vais ter.Ruben não vais ficar cá para sempre.Estás a recuperar da lesão e muito em breve terás de voltar.Nem tu penses noutra coisa se não voltares.
Nesse momento a nossa conversa foi interrompida pelo som do seu telemóvel.
-Tenho mesmo de atender.
-Claro.Está à vontade.
Ele afastou-se um pouco e foi até à varanda.Aproveitei por ligar a Tv na Benfica Tv e fiquei a ver a entrevista que estava a dar com o Aimar.
Ele acabou por entrar pouco tempo depois e voltou a ocupar o lugar vago do meu lado.Vinha esquisito.Com uma cara e um olhar diferente.Mais triste,mais pensativo.
-Alguma coisa de grave Ruben?
-Não.Quer dizer não é grave mas ...
-Mas?
-Era do clube.Tenho de voltar hoje mesmo.
-Pois.-disse ao encostar as minhas costas sobre o sofá.Sabia que aquele momento iria chegar,mas não tão repentinamente.Ainda há minutos falávamos sobre o dia em que ele teria de regressar para cumprir as suas obrigações e agora o momento acabara de chegar e nenhum dos dois queria sequer pensar nisso.
-Se pudesse parava o tempo neste preciso momento.
-Ruben isso não é possível.Muita coisa não é possível.Tens de voltar.Tens obrigações não só com o presidente e o treinador.Tens obrigações com mais 6 milhões de pessoas,incluindo eu.
-Eu sei que tenho.
-E sabes que tens de ir.
-E nós.
-Ruben já falamos sobre isso.
-Desculpa mas eu não vou deixar que isto termine desta maneira.
-Mas não há outra maneira para terminar.Terminou assim.
-Não,não terminou.Maria olha para mim.
Olhei-o nos olhos rasos de água.Nunca o tinha visto assim.Vulnerável.Frágil.Sentia medo,insegurança,desespero no seu olhar.
-Por favor,eu sei que isto vai resultar,pensa em nós.Só em nós Maria.Não penses em quem nos rodeia,não penses no mundo exterior.Só tu e eu.Não te peço mais nada.
-Está bem.
-Promete-me.
-Prometo-te.Mas tens de me prometer tu uma coisa também.
-Diz.
-Vais para Lisboa e vais voltar a ser o Ruben que todos conhecemos,o Ruben brincalhão,sorridente.Vais te esforçar para voltar a jogar o mais rapidamente possível e para seres um dos melhores.Vais te concentrar e deixar 6 milhões de pessoas orgulhosas por nos representares.
Ele mostrou o seu sorriso caracteristico e pousou a sua mão na minha face.
-Claro que prometo minha princesa.Vou orgulhar essa gente toda,mas principalmente vou orgulhar-te a ti.
Sorri-lhe.
Ele puxou-me para si e abraçou-me.Enterrei a minha cabeça sobre o seu peito e senti o seu aroma.
-Tens de ir Ruben.
-Sim é melhor.Depois fica tarde.
-Anda eu levo-te à porta.
Fomos até à entrada ele vestiu o seu casaco e pegou nas chaves do carro.
-Quando chegares avisa-me para ficar descansada.
-Claro.-disse a sorrir.
-Boa viagem.
-Obrigada princesa.Só mais uma coisa.

-O quê?
Ele chegou-se perto de mim e voltou a colar os nossos lábios,desta vez num beijo carregado de desejo e já de muita saudade.
-Vai lá.Beijos.
-Beijos.Amo-te.
Vi o desaparecer no fundo do corredor e fechei a porta com um sorriso na cara.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Capítulo 15



Acordei no dia seguinte com praticamente duas horas de sono.Voltar a vê-lo foi voltar a viver tudo de novo,voltei a sofrer com a sua ida e apesar de não dever,a ansiar o seu regresso.
As suas ultimas palavras não me saiam da cabeça,não podia deixar que ele se aproximasse.Por mais que queira não podia prejudicar a vida de alguém de quem gostava,sabia que estava a ser egoista se o fizesse e esperava que um dia ele viesse a entendê-lo.Que um dia me viesse bater à porta e me viesse agradecer por o ter deixado seguir em frente e por o ter deixado viver tudo aquilo que lhe estava reservado.Tudo aquilo que ele merecia viver,tudo aquilo para que ele tinha lutado,Tudo aquilo que eu não podia destruir.

Levantei-me e fui até à casa de banho para tomar um banho fresco a ver se conseguia por as ideias em ordem e acordar.Vesti algo simples e fui até à cozinha onde encontrei a minha mãe e o meu pai na tipica azafama matinal.

O meu pai andava certamente em busca de algo deixando um rasto de desarrumação por cada sitio que passava o que deixava a minha mãe,que dialogava ao telemóvel, um tanto irritada e nervosa.
-Bom dia.
-Bom dia filha-dizia o meu pai acabando de fechar uma das gavetas-bolas!Que não encontro a treta do contrato!
Limitei-me a pegar em uns dos croissants que estavam em cima da mesa e em servir um pouco de café.
-Bom dia querida-disse a minha mãe dando-me um beijo suave na testa-café?Dormis-te mal?
-Sim.insónias.
-Encontrei!-disse o pai entrando na cozinha com uma pasta de cor avermelhada na mão.
-E deixas-te a cozinha num caus!Minha querida a mãe e o pai vão ter de ir até Lisboa por causa de um cliente amanha ou depois devemos estar de volta.Mas depois a mãe liga.
-Deixei dinheiro no teu quarto para comeres.Porta te bem.
-Sim pai.Obrigada.
-Bem querida vamos mesmo ter de ir que estamos atrasadissimos!
Despedi-me deles e fui acabar de me arranjar,peguei na carteira e quando estava a arrumar o resto das coisas para sair a campainha tocou.
-Bom dia!
-Bom dia.-disse a um senhor.
-É para a entrega de uma encomenda.Importa-se de assinar aqui?-disse apontando para um espaço em branco num papel que trazia preso a um bloco A4.
-Claro.
-Aqui tem e bom dia.-disse estendendo-me um ramo de rosas vermelhas.
Fechei a porta e encostei suavemente a minha face às rosas para sentir aquele aroma logo pela manha.Adorava rosas vermelhas e aquelas pareciam feitas de veludo encarnado.
Coloquei-as em água e peguei no cartão que vinha juntamente com elas.

 Bom dia minha flor!
Já sinto saudades tuas....por favor não te pço que me dês mais uma oportunidade.
Peço-te que nos dês a nós mais uma oportunidade.Pois o meu lugar é do teu lado e só serei feliz junto a ti.
Almoçamos hoje?Por favor não digas já que não.
Amo-te
Ruben Amorim

Larguei um suspiro.
-Ai Ruben o que faço contigo?
Pousei o cartão no meu quarto,agarrei na carteira e sai de casa apressadamente.
Durante o caminho não conseguia tirar o sorriso da cara,não conseguia deixar de pensar que ele me amava e que ele estava a lutar por mim apesar de saber que eu não me podia deixar levar se não iriamos acabar por sofrer,mas simplesmente há sentimentos com quais não conseguimos lutar.
Quando cheguei à escola já passava da hora ,mas ainda consegui entrar.
-Então estavamos a ver que não vinhas.-disse a Bia mal me sentei.
-Atrasei-me.
-Tu estás é com cara de quem não dormiu nada.
-Também.
A conversa acabou porque a professora não achou piada ao facto de estarmos todas na conversa.
A meio da aula senti o meu telemóvel vibrar e discretamente peguei nele.
Era uma mensagem dele.

Bom dia outra vez!Gostas-te?
A que horas sais para almoçarmos?
Beijo.

Não sabia se devia aceitar o seu convite.Uma parte de mim queria tanto,mas a outra sabia que tinha e devia recusar.

Bom dia.Sim gostei,mas não precisavas de ter gasto dinheiro comigo.
Ruben,ja falamos.É melhor não!

A sua resposta não tardou a chegar.

Não importa o dinheiro,o que interessa é teres gostado.
Maria,por favor não nos faças isso.Vamos só almoçar.Dois amigos.Por favor.

Acabei por tomar a decisão que me era dita para tomar.

Está bem.Saio à uma e vinte,mas almoçamos em minha cassa que não dá nas vistas.
Vai lá ter à uma e quarenta e cinco sim?E não preciso que me venhas buscar!


Está bem J
Como sabias que te ia querer ir buscar?


Ah ah.Começo a conhecer-te sabias.
Vá até logo que não posso falar mais.Aulas!


Vai lá princesa J
Até logo

As aulas acabaram por passar a correr e quando dei por mim já era hora de sair.
Peguei nas minhas coisas e sai com as meninas.
-Maria vamos almoçar?
-Não meninas,hoje já tenho coisas combinadas.
-Ai sim?
-Sim,e não se ponham a imaginar coisas que o filme não passa por aí.
-Está bem!Depois queremos saber.
-Não sei o quê,mas está bem!Até amanha!
-Até amanha!Juizo!
Limitei-me a seguir o meu caminho e não disse mais nada.
Quando cheguei a casa decidi encomendar umas pizzas,visto que não me estava a apetecer cozinhar e ele devia estar quase a chegar.
Encomendei as pizzas e quinze minutos depois a campainha soou.
-Boa tarde-disse com o seu sorriso caracteristico no rosto,o que me levou a mim a sorrir.
-Boa tarde.Entra.-afastei-me e ele ao fazer o trajecto para dentro de casa parou e deu-me um beijo na testa.
-Podes te sentar.Encomendei pizza espero que não te importes.
-Não,é na boa.
-Ainda bem.
Comecei a por a mesa enquanto ele me mirava.
-Eu ajudo-te.
-Ora essa!Descansa mas é esse joelho Ruben Amorim!
-Sim senhora.
-Tu nem devias ter vindo Ruben!Precisas de descansar!
-Shiu!Não digas isso.Se vim,foi porque fui autorizado a isso mesmo.
-Ai sim?Até estou para ver a desculpa que deste para poderes vir até cá cima.
-Então a minha tia paterna está muito doentinha.
-Ruben!
Ele soltou uma das suas caracteristicas gargalhadas e depois falou.
-Eu era para dizer que vinha atrás da mulher que amo mas se o dissesse talvez não me deixassem vir.-disse a sorrir.
-E eles ainda caem nas tuas mentiras.
-O Doutor Leitão não ficou nem um pouco convencido.
-Há quem te comece a conhecer bem menino Ruben.
A campainha acabou por tocar e ele levantou-se.
-Onde pensas que vais?
-Pagar as pizzas.
-E o senhor não quer mais nada pois não.Primeiro eu pago porque estas em minha casa,segundo eu disse-te para ficares ai sentadinho a descansar e terceiro estas no Porto menino.Um jogador do Benfica a abrir a porta sem saber quem está do outro lado.Ainda te atacam e a culpa é minha.
-Esta bem,mas eu queria pagar....
Olhei-o com cara séria.
-Pronto,paga tu que quem me mata ainda és tu.
Com aquele comentário soltei uma gargalhada e abri a porta.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Capitulo 14

Toda a viagem foi feita em silêncio.A pessoa com que sonhava e ansiava em tocar,beijar,e olhar durante aqueles dias todos encontrava-se mesmo ao meu lado.Segui todo o caminho com o os olhos postos no exterior olhando a rua.A sua respiração pesada fazia-se sentir e eu ainda não acreditava que ele estava ali.
-Estaciona ali.-disse apontando para um lugar vago perto da porta de minha casa.
Ele limitou-se a estacionar no local indicado sem proferir uma palavra.Sai do carro e ele fez o mesmo.Abri a porta principal com ele do meu lado.Seguimos até ao elevador.
Ele abriu me a porta do mesmo e entrei sem lhe dizer nada.A porta fechou-se e carreguei no botão com o número 5.Irónico.Encostei-me a um dos lados do elevador e ele encostou-se no lado oposto fitando-me.Desviei o meu olhar para o chão,mas por pura teimosia do mesmo voltou a centrar-se nele.Fiquei a olhá-lo.Nunca tinha visto nada tão perfeito,o seu cheiro invadia o pequeno espaço em que nos encontrávamos e não sei porque fazia com que me senti-se segura e completa.
O meu pensamento acabou por ser interrompido com o som do elevador.Sai e ele seguiu-me.Abri a porta e como era de esperar não se encontrava ninguém em casa.
-Está à vontade,já volto.-disse ao sair da sala.Dirigi-me até ao meu quarto onde pousei as minhas coisas.Se me tinha custado terminar com tudo o que houvera entre nós ao telefone não sabia como iria conseguir fazê-lo agora,com ele diante de mim.Cada vez ele era mais especial para mim,mas sabia que não podia ser,aquilo não tinha pernas para andar.Estava condenado desde o inicio.
Sai do quarto e fui até à sala.Entrei sem que ele se apercebe-se.Estava com uma das molduras que se encontravam expostas em cima do móvel grande da sala de estar.Reconheci perfeitamente a moldura e sabia que era uma foto minha,numa viagem recente que tinha feito a Itália.
Encostei-me sobre a porta da sala a mirá-lo uma vez mais.Ele acabou por sentir a minha presença,olhou-me e pousou a moldura.
-Porquê?-disse à medida que se ia aproximando,até que a sua mão tocou suavemente no meu rosto ,o que fez com que todo o meu corpo se contraísse e uma descarga de adrenalina percorresse todo o meu corpo.Uma vontade súbita de me atirar para os seus braços foi contrariada pela minha consciência que fez com que me afasta-se.Naquele momento seguia as ordens da cabeça ,ignorando as do coração.
-Ruben já te disse o porquê.
-Não disses-te não!-disse já num tom de voz mais alto e desesperado-não me atendes-te os telefonemas,deixas-te de me falar e simplesmente disses-te para te esquecer.
-Sim...-disse quase num sussurro.
-Porquê-disse levantando me suavemente o queixo com a mão.
-Porque não dá Ruben.Não dá!Somos diferentes,vivemos em mundos diferentes,cidades diferentes,convivemos com pessoas diferentes e temos idades diferentes.
-Os opostos atraem-se.
-Ruben...
-Ruben não!Achas que vou desistir de ti por causa do que me disses-te?Tens de me dar uma desculpa bem mais credível!Diz-me que não sentes a minha falta,que não me queres beijar,que não queres estar comigo,que não sentes nada por mim.Diz me nos olhos e eu saio por aquela porta e nunca mais me vês.
As lágrimas que a muito estavam contidas em mim traçaram o seu caminho até ao chão.A ideia de nunca o mais ver era a pior e por mais que tentasse não lhe conseguiria dizer aquilo nos olhos,não lhe conseguiria mentir olhando aquele olhos que tanta paz me transmitiam.
Senti os seus braços envolverem o meu tronco.
-Não faças isto.Não nos faças isto.
Larguei-me dos seus braços e encarei-o.
-Ruben,por favor,se gostas de mim como dizes,não me faças tu isto a mim.Não me faças sofrer mais.Acredita que não faço isto mim,nem por nós,faço por ti.Porque é o melhor para ti.Com o tempo vais-me dar razão e saberás que fiz o que era melhor para os dois.Acredita que te adoro e que estarás sempre comigo mas o teu lugar não é comigo,sei que serás muito feliz com outra pessoa e desejo que ela te faça muito feliz também.Porque mereces Ruben.Foste das pessoas mais incríveis que conheci,das mais sinceras,puras e humildes que conheci até hoje.E agradeço a Deus por o meu caminho se ter cruzado com o teu e por me ter sido dada a oportunidade de te conhecer.Mudas-te muita coisa em mim e na minha forma de ver as coisas.Acredita que nunca me esquecerei de ti.Espero que um dia voltemos a falar como dois grandes amigos.Mas agora o melhor é isto.Tu segues com a tua vida e eu sigo com a minha.
-Diz me só uma coisa.Só te peço que respondas a isto.O que tivemos,o meu toque ,o meu beijo.significou alguma coisa para ti?
-Claro que sim Ruben.A minha vontade era ter ido ter contigo a Lisboa,ou mesmo de nunca sair de lá.
Ele moveu-se até perto do meu sofá,pegou no seu casaco lá pousado e chegou-se perto de mim e deu-me um beijo na face para depois me sussurrar algo ao ouvido.
-Com o que acabas-te de dizer não me peças para desistir de ti.