Acordei na manhã seguinte com o som do meu telemóvel.
-Sim-arrastei a voz ainda ensonada,esfregando os olhos e espreguiçando o corpo.
-Maria!Eu não acredito que ainda estás a dormir!-a voz estridente da Rita fez com que tivesse que afastar o telemóvel do meu ouvido.
-Eish oh Rita fala mais baixo!-pedi quase num murmúrio aproximando ligeiramente o telemóvel de mim.
-Oh mulher tu sabes que horas são?Oito da manhã!Eu a pensar que estavas pronta para te ir buscar.
Assim que ela disse “oito da manha” não ouvi mais nada.Saltei da cama num ápice,despi o pijama e fui a correr para a casa de banho.
-Oh Rita vou tomar banho,em quinze minutos tou prontinha.Vens me buscar?-pedi ao entrar na casa de banho.
-Sim miúda.Quinze minutos.Despacha-te.
-Sim mi amore!-atirrei o telemovel para cima da cama e regressei à casa de banho.
Num ápice tomei banho e vesti a primeira coisa que me lembrei,peguei nos livros e corri até à cozinha.
-Então maninha?-o meu irmão e a namorada ,a Helena ,encontravam-se sentados a tomar o pequeno almoço.
-Estão tão atrasada!Oi Lenita!-dei-lhe um beijinho,peguei numa das torradas que se encontravam no centro da mesa e corri para a porta.-Até logo!
-Maria!Espera!-já me encontrava fora de casa ,mas impulsionei o meu corpo de novo e espreitei para dentro do hall.
-Diz mano!Mas rápido que a Rita deve estar á minha espera-confirmei as horas no relógio e eram quase oito e um quarto.
-Nós vamos passar o fim-de-semana fora.Ficas bem?
-Ah fico!Não te preocupes.Os pais devem voltar hoje!
-Está bem então pequenina-soltou um breve sorriso para depois se despedir de mim.
Corri pelas escadas até encontrar a Rita no exterior à minha espera.
-Estava a ver que não!Ainda vamos chegar atrasadas!-abriu a porta do seu Mini Cooper ainda com o telemóvel nas mãos.
-Tem calma amorzinho!Primeiro bom dia!Segundo se largares o telemóvel chegamos lá mais rápido!Terceiro não reclames!-fechei a porta do carro,coloquei o cinto enquanto ela ainda resmungava comigo.
Acabamos por relembrar a noite passada entre muitas risotas.Arranjamos um lugar para estacionar perto da entrada da escola que se encontrava apinhada de gente no seu exterior.
Mal saímos do carro a campainha soou.
-Com que então ia-mos chegar atrasadas não era?-ri-me ao ver a sua expressão quando começou a falar.
-Olha quase que chagávamos!A tua sorte é que hoje havia lugar pra estacionar!
-Está bem ,deixa de resmungar e anda se “não chegas atrasada”-imite o seu tom de voz o que a levou a dar-me uma pequena palmada no antebraço.Soltei um riso e entramos para o meio da habitual confusão.
Entramos as duas na sala de aula e a típica confusão matinal estava instalada.Parecia que não se viam há anos,ou que havia sempre algo que falar.A professora Vera acabou por entrar e por toda a gente no lugar com o seu berro estridente acompanhado pelo típico mau-humor que já lhe era caracteristico.
-Fogo eu ainda tenho esperança que esta mulher entre por aquela porta com um sorriso na cara!-a Rita disse aquilo quase como um desabafo,ou uma esperança,o que levou à risota do mais próximos.
-Sonha Ritinha!
A aula decorreu na normalidade,com quase toda a gente entretida a fazer desenhos ou à volta do telemóvel.Aulas de filosofia eram assim...A Vera falava e a gente faz que ouve!
Lembrei-me que com aquela correria matinal acabei por não prestar atenção ao telemóvel.Abri a carteira e discretamente peguei no telemóvel.
-Fogo!Duas chamadas não atendidas e duas mensagens...-murmurei para mim.
-Disses-te alguma coisa?-a Ana a minha colega da frente voltou-se para mim já meio acordada,meio a dormir.
-Não,não disse nada!-soltei uma gargalhada quase que inaudível.
Tinha duas chamadas não atendidas da minha mãe tal como uma das mensagens era dela.A outra era do Ruben.
DE:Mammy
Filha tentei ligar-te mas deves estar em aulas.A mãe queria avisar que eu e o pai não voltamos hoje.Surgiram uns imprevistos e vamos ter que ir até ao departamento em Madrid.O mais tardar terça-feira estamos em casa.O pai transferiu mais dinheiro para as vossa contas,sim?
Beijinhos e portem-se bem!
DE: Ruben Amorim (:
Era só para te dar os bons dias minha princesa!
Miss you.
Olhei para o relógio.Eram quase dez horas.Provavelmente já estava no treino,mas mesmo assim decidi responder-lhe.
PARA: Ruben Amorim (:
Bom dia (:
Deves estar no treino e tenho a certeza que estarás a dar o teu melhor campeão!
Beijinhos
-Bem meninos queria vos dar um trabalho de casa especial!-a voz da professora Vera fez com que o burburinho de fundo terminasse e com que guardasse apressadamente o telemóvel na carteira.
-Espero bem que não seja nada do que ela esteve para ali a falar,é estive completamente a leste!-a Rita dizia já preocupada.
-Tem calma,foste tu e mais vinte.
-Ou seja,se for,estamos todos tramados.
-Meninas importam-se de partilhar?-o som do salto alto a arrastar-se para junto de nós acabou por nos despertar e encarar aquela figura com ar sisudo que se encontrava diante de nós.
-Nada stora.Desculpe.
-Bem!Continuando...queria vou dar um papel a cada um.O papel contêm uma frase ou um poema.
-E o que é suposto fazer?
-Queria que apartir dessa frase escrevessem um texto.Não limite de palavras,mas dêem largas a imaginação e deixem de ser limitados!
-Ufa!Menos mal que não tem nada a ver com a aula-a Rita encostou a suas costas sobre a cadeira e suspirou de alivio.
A professora Vera distribuiu a todos os papeis e enquanto mo entregava o som da campainha fez com que se instalasse uma ânsia e um nervosismo para poder,finalmente,sair daquela sala após noventa minutos de sofrimento e de tédio.
-não vais ler a tua frase Maria?
-Lei-o depois Ritinha!
-Tu é que sabes.
Acabamos por sair da sala entre gargalhadas e descemos a longa escadaria de pedra que dava acesso a um dos recreios da escola.Deslocamo-nos até há habitual e interminável fila para o bar.O cheiro do pão acabado de cozer conseguia abrir o apetite a qualquer um e o ruído dos miúdos a jogar a típica e tão esperada partida de futebol,onde num campo se conseguia ver mais de três jogos em simultâneo descreviam um dos típicos intervalos num dia de aulas.Ao olhar para eles a jogarem aquele tão normal e adorado jogo fez-me soltar um breve e pequeno sorriso,pois acabei também por me lembrar do Ruben quando jagova.De como o sorriso de uma criança a jogar conseguia ser igual ao seu enquanto fazia o que mais gostava.
-É que a aula nunca mais acabava!Já estava quase pra bater com a cabeça na parede.
-Oh estavas quase a dormir!Está mas é caladinha Rita.-a sua expressão de surpresa levou-nos a rir desalmadamente.
-EU?!?!
-Sim,eras tu e a menina Ana.
-Olha não tenho culpa!Nem toda a gente se levantou às oito da manhã não é?-rrevirou os olhos e olhou-me cruzando os braços,abanando a anca em sinal de impaciência.
-Oh tadinha.-levei os meu dedos as suas bochechas e apertei-las.Sabia o quanto que ela detestava que o fizesse.
-Eh para lá com isso que pareces as vizinhas da minha avó quando vou lá à terrinha!
-Ah ah só mesmo tu baby!
Acabamos por fazer o nosso pedido e consegui matar o bichinho da fome devido ao pequeno almoço ligeiro que tinha feito.
Fomos nos sentar numas das mesas entre muita risota e foi ai que me lembrei de responder à minha mãe.Com a ânsia de puder ver a mensagem do Ruben acabei por me esquecer por completo de lhe responder.
PARA: Mammy
Olá mammy!Sim estava já em aulas.E quanto a nós não se preocupem que estamos bem!Bom trabalho e aproveitem para descansar um pouco,nem que fiquem mais um dia a aproveitar a cidade que é maravilhosa!E não diga que não tem tempo,que bem merecem!
Beijinhos
O toque da campainha fez com que toda a gente se levantasse e seguisse o caminho até á sua respectiva sala de aula.
-Mais noventa minutos horripilantes!
-Oh não te queixes que a Doutora Carla é das melhores que aqui temos.
-Pelo menos alguém decente no meio desta trupe de terceira idade que vem sempre a resmungar!Eu não sei como é que esta gente às oito e meia da manha consegue estar mal disposta e aos berros com vinte pessoas.É que juro que não entendo!-a Rita gesticulava com as mãos o que nos levou a rir com mais umas das suas típicas observações.
Sentamos-nos nos nossos lugares e a doutora Carla deu inicio à aula.
Voltei a pegar no telemóvel a ver se tinha alguma mensagem do Ruben.Sabia que me devia afastar,mas a esperança de ter uma mensagem dele era muita.A inquietação,o nervosismo,a ansiedade só por uma mensagem.Eram quase onze,mas deduzi que o treino ainda devia estar a decorrer,por isso resolvi guardar o telemóvel na carteira desanimadamente.
Abri o estojo para pegar na lapiseira para me entreter a desenhar e acabei por ver o papel que a professora Vera me tinha dado.Decidi lê-lo visto que ainda não o tinha feito.
Abri delicadamente o papelzinho dobrado em quatro e comecei a ler.
“Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia o verbo a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto... depende de como você vê!”
Cada palavra que li-a mais o coração apertava.A cada palavra a sua face aparecia no meu pensamento e a vontade de o ter do meu lado para o beijar era mais que muita!Estava tudo ali.O fim...belo incerto que só dependia de como eu o via.Não de como eu andava a ver,de como eu andava a tentar ver enganando os meus proprios olhos,contrariando a minha propria vontade.O fim dependia agora unica e exclusivamente de mim e do meu desejo.E bem,o meu desejo era só ele!Só voltar a puder tocar os seus lábios,sentir o seu cheiro ,o seu sabor,os seus braços protectores num abraço tão esperado.Só queria vislumbrar o seu sorriso ,o sorriso com que sonhava secretamente todas as noites.
Sabia agora o que devia fazer, e o meu lugar não era decerto ali.Não naquele momento.
-Professora Carla?-pûs a mão no ventre contorcendo-me.
-Sim Maria?A menina está bem?-deslocou-se num passo apressado até mim colocando-se de joelhos.
-Não muito,estou enjoada.
-Mas quer ir ao bar tomar um chá?-colocou a sua mão sobre a minha testa,provavelmente para verificar a temperatura.
-Já tomei no intervalo e parece que não fez efeito.-tentei fingir o melhor que podia.Poderia não estar a ser eticamente correcta mas estava a fazer o que devia ja ter sido feito.
-Realmente não está com muito boa cara.Não será melhor ir para casa?
-Sim,penso que sim.-boa!era mesmo aquilo que estava a espera que ela disse-se.
-Então ligo aos seus pais para a virem buscar.-a doutora Carla era tambem nossa directora de turma ,dai estar a tomar aquela decisao sem consultar mais alguem.
-Não os preocupe doutora!Eles estão em negócios em Madrid!Eu ligo ao meu irmão e ele vem buscar-me!Continue com a sua aula.
-Tem a certeza menina?-ela mirava-me com preocupação.
-sim sim.Deve ser só uma indisposição.Vou para casa para ver se tomo algo mais forte.
-Está bom.
Levantei-me a arrumei tudo na carteira.A Rita e o resto das meninas olhavam-me incredulas pois sabiam que me encontrava perfeitamente bem.
-Depois vais-me explicar isso...-sussurou a Rita enquanto passava junto do seu lugar.Pisquei-lhe o olho e sai da sala.Percorri os corredores num passo acelerado e mal sai da escola desatei a correr.Só tive tempo de ir a casa,preparar o que necessitava e seguir até São Bento.
Corri desalmadamente até à cabine de compra onde uma senhora rechonchuda dos seus cinquenta anos me atendeu.
-Bom dia menina.
-Bom dia.
-O que deseja?
-Bilhete de ida e volta no próximo comboio.
-Destino?
-Lisboa.-mais convicta que nunca,soltei um sorriso que naquele momento poderia iluminar o mundo.
Espero que tenham gostado meninas e gostava que me dissessem o que estão a achar!
Agora com o inicio das aulas será mais complicado postar mas vou tentar fazê-lo o mais
rápidamente possivel!
Beijinhos!
Pipa
-Sim-arrastei a voz ainda ensonada,esfregando os olhos e espreguiçando o corpo.
-Maria!Eu não acredito que ainda estás a dormir!-a voz estridente da Rita fez com que tivesse que afastar o telemóvel do meu ouvido.
-Eish oh Rita fala mais baixo!-pedi quase num murmúrio aproximando ligeiramente o telemóvel de mim.
-Oh mulher tu sabes que horas são?Oito da manhã!Eu a pensar que estavas pronta para te ir buscar.
Assim que ela disse “oito da manha” não ouvi mais nada.Saltei da cama num ápice,despi o pijama e fui a correr para a casa de banho.
-Oh Rita vou tomar banho,em quinze minutos tou prontinha.Vens me buscar?-pedi ao entrar na casa de banho.
-Sim miúda.Quinze minutos.Despacha-te.
-Sim mi amore!-atirrei o telemovel para cima da cama e regressei à casa de banho.
Num ápice tomei banho e vesti a primeira coisa que me lembrei,peguei nos livros e corri até à cozinha.
-Então maninha?-o meu irmão e a namorada ,a Helena ,encontravam-se sentados a tomar o pequeno almoço.
-Estão tão atrasada!Oi Lenita!-dei-lhe um beijinho,peguei numa das torradas que se encontravam no centro da mesa e corri para a porta.-Até logo!
-Maria!Espera!-já me encontrava fora de casa ,mas impulsionei o meu corpo de novo e espreitei para dentro do hall.
-Diz mano!Mas rápido que a Rita deve estar á minha espera-confirmei as horas no relógio e eram quase oito e um quarto.
-Nós vamos passar o fim-de-semana fora.Ficas bem?
-Ah fico!Não te preocupes.Os pais devem voltar hoje!
-Está bem então pequenina-soltou um breve sorriso para depois se despedir de mim.
Corri pelas escadas até encontrar a Rita no exterior à minha espera.
-Estava a ver que não!Ainda vamos chegar atrasadas!-abriu a porta do seu Mini Cooper ainda com o telemóvel nas mãos.
-Tem calma amorzinho!Primeiro bom dia!Segundo se largares o telemóvel chegamos lá mais rápido!Terceiro não reclames!-fechei a porta do carro,coloquei o cinto enquanto ela ainda resmungava comigo.
Acabamos por relembrar a noite passada entre muitas risotas.Arranjamos um lugar para estacionar perto da entrada da escola que se encontrava apinhada de gente no seu exterior.
Mal saímos do carro a campainha soou.
-Com que então ia-mos chegar atrasadas não era?-ri-me ao ver a sua expressão quando começou a falar.
-Olha quase que chagávamos!A tua sorte é que hoje havia lugar pra estacionar!
-Está bem ,deixa de resmungar e anda se “não chegas atrasada”-imite o seu tom de voz o que a levou a dar-me uma pequena palmada no antebraço.Soltei um riso e entramos para o meio da habitual confusão.
Entramos as duas na sala de aula e a típica confusão matinal estava instalada.Parecia que não se viam há anos,ou que havia sempre algo que falar.A professora Vera acabou por entrar e por toda a gente no lugar com o seu berro estridente acompanhado pelo típico mau-humor que já lhe era caracteristico.
-Fogo eu ainda tenho esperança que esta mulher entre por aquela porta com um sorriso na cara!-a Rita disse aquilo quase como um desabafo,ou uma esperança,o que levou à risota do mais próximos.
-Sonha Ritinha!
A aula decorreu na normalidade,com quase toda a gente entretida a fazer desenhos ou à volta do telemóvel.Aulas de filosofia eram assim...A Vera falava e a gente faz que ouve!
Lembrei-me que com aquela correria matinal acabei por não prestar atenção ao telemóvel.Abri a carteira e discretamente peguei no telemóvel.
-Fogo!Duas chamadas não atendidas e duas mensagens...-murmurei para mim.
-Disses-te alguma coisa?-a Ana a minha colega da frente voltou-se para mim já meio acordada,meio a dormir.
-Não,não disse nada!-soltei uma gargalhada quase que inaudível.
Tinha duas chamadas não atendidas da minha mãe tal como uma das mensagens era dela.A outra era do Ruben.
DE:Mammy
Filha tentei ligar-te mas deves estar em aulas.A mãe queria avisar que eu e o pai não voltamos hoje.Surgiram uns imprevistos e vamos ter que ir até ao departamento em Madrid.O mais tardar terça-feira estamos em casa.O pai transferiu mais dinheiro para as vossa contas,sim?
Beijinhos e portem-se bem!
DE: Ruben Amorim (:
Era só para te dar os bons dias minha princesa!
Miss you.
Olhei para o relógio.Eram quase dez horas.Provavelmente já estava no treino,mas mesmo assim decidi responder-lhe.
PARA: Ruben Amorim (:
Bom dia (:
Deves estar no treino e tenho a certeza que estarás a dar o teu melhor campeão!
Beijinhos
-Bem meninos queria vos dar um trabalho de casa especial!-a voz da professora Vera fez com que o burburinho de fundo terminasse e com que guardasse apressadamente o telemóvel na carteira.
-Espero bem que não seja nada do que ela esteve para ali a falar,é estive completamente a leste!-a Rita dizia já preocupada.
-Tem calma,foste tu e mais vinte.
-Ou seja,se for,estamos todos tramados.
-Meninas importam-se de partilhar?-o som do salto alto a arrastar-se para junto de nós acabou por nos despertar e encarar aquela figura com ar sisudo que se encontrava diante de nós.
-Nada stora.Desculpe.
-Bem!Continuando...queria vou dar um papel a cada um.O papel contêm uma frase ou um poema.
-E o que é suposto fazer?
-Queria que apartir dessa frase escrevessem um texto.Não limite de palavras,mas dêem largas a imaginação e deixem de ser limitados!
-Ufa!Menos mal que não tem nada a ver com a aula-a Rita encostou a suas costas sobre a cadeira e suspirou de alivio.
A professora Vera distribuiu a todos os papeis e enquanto mo entregava o som da campainha fez com que se instalasse uma ânsia e um nervosismo para poder,finalmente,sair daquela sala após noventa minutos de sofrimento e de tédio.
-não vais ler a tua frase Maria?
-Lei-o depois Ritinha!
-Tu é que sabes.
Acabamos por sair da sala entre gargalhadas e descemos a longa escadaria de pedra que dava acesso a um dos recreios da escola.Deslocamo-nos até há habitual e interminável fila para o bar.O cheiro do pão acabado de cozer conseguia abrir o apetite a qualquer um e o ruído dos miúdos a jogar a típica e tão esperada partida de futebol,onde num campo se conseguia ver mais de três jogos em simultâneo descreviam um dos típicos intervalos num dia de aulas.Ao olhar para eles a jogarem aquele tão normal e adorado jogo fez-me soltar um breve e pequeno sorriso,pois acabei também por me lembrar do Ruben quando jagova.De como o sorriso de uma criança a jogar conseguia ser igual ao seu enquanto fazia o que mais gostava.
-É que a aula nunca mais acabava!Já estava quase pra bater com a cabeça na parede.
-Oh estavas quase a dormir!Está mas é caladinha Rita.-a sua expressão de surpresa levou-nos a rir desalmadamente.
-EU?!?!
-Sim,eras tu e a menina Ana.
-Olha não tenho culpa!Nem toda a gente se levantou às oito da manhã não é?-rrevirou os olhos e olhou-me cruzando os braços,abanando a anca em sinal de impaciência.
-Oh tadinha.-levei os meu dedos as suas bochechas e apertei-las.Sabia o quanto que ela detestava que o fizesse.
-Eh para lá com isso que pareces as vizinhas da minha avó quando vou lá à terrinha!
-Ah ah só mesmo tu baby!
Acabamos por fazer o nosso pedido e consegui matar o bichinho da fome devido ao pequeno almoço ligeiro que tinha feito.
Fomos nos sentar numas das mesas entre muita risota e foi ai que me lembrei de responder à minha mãe.Com a ânsia de puder ver a mensagem do Ruben acabei por me esquecer por completo de lhe responder.
PARA: Mammy
Olá mammy!Sim estava já em aulas.E quanto a nós não se preocupem que estamos bem!Bom trabalho e aproveitem para descansar um pouco,nem que fiquem mais um dia a aproveitar a cidade que é maravilhosa!E não diga que não tem tempo,que bem merecem!
Beijinhos
O toque da campainha fez com que toda a gente se levantasse e seguisse o caminho até á sua respectiva sala de aula.
-Mais noventa minutos horripilantes!
-Oh não te queixes que a Doutora Carla é das melhores que aqui temos.
-Pelo menos alguém decente no meio desta trupe de terceira idade que vem sempre a resmungar!Eu não sei como é que esta gente às oito e meia da manha consegue estar mal disposta e aos berros com vinte pessoas.É que juro que não entendo!-a Rita gesticulava com as mãos o que nos levou a rir com mais umas das suas típicas observações.
Sentamos-nos nos nossos lugares e a doutora Carla deu inicio à aula.
Voltei a pegar no telemóvel a ver se tinha alguma mensagem do Ruben.Sabia que me devia afastar,mas a esperança de ter uma mensagem dele era muita.A inquietação,o nervosismo,a ansiedade só por uma mensagem.Eram quase onze,mas deduzi que o treino ainda devia estar a decorrer,por isso resolvi guardar o telemóvel na carteira desanimadamente.
Abri o estojo para pegar na lapiseira para me entreter a desenhar e acabei por ver o papel que a professora Vera me tinha dado.Decidi lê-lo visto que ainda não o tinha feito.
Abri delicadamente o papelzinho dobrado em quatro e comecei a ler.
“Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia o verbo a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto... depende de como você vê!”
Cada palavra que li-a mais o coração apertava.A cada palavra a sua face aparecia no meu pensamento e a vontade de o ter do meu lado para o beijar era mais que muita!Estava tudo ali.O fim...belo incerto que só dependia de como eu o via.Não de como eu andava a ver,de como eu andava a tentar ver enganando os meus proprios olhos,contrariando a minha propria vontade.O fim dependia agora unica e exclusivamente de mim e do meu desejo.E bem,o meu desejo era só ele!Só voltar a puder tocar os seus lábios,sentir o seu cheiro ,o seu sabor,os seus braços protectores num abraço tão esperado.Só queria vislumbrar o seu sorriso ,o sorriso com que sonhava secretamente todas as noites.
Sabia agora o que devia fazer, e o meu lugar não era decerto ali.Não naquele momento.
-Professora Carla?-pûs a mão no ventre contorcendo-me.
-Sim Maria?A menina está bem?-deslocou-se num passo apressado até mim colocando-se de joelhos.
-Não muito,estou enjoada.
-Mas quer ir ao bar tomar um chá?-colocou a sua mão sobre a minha testa,provavelmente para verificar a temperatura.
-Já tomei no intervalo e parece que não fez efeito.-tentei fingir o melhor que podia.Poderia não estar a ser eticamente correcta mas estava a fazer o que devia ja ter sido feito.
-Realmente não está com muito boa cara.Não será melhor ir para casa?
-Sim,penso que sim.-boa!era mesmo aquilo que estava a espera que ela disse-se.
-Então ligo aos seus pais para a virem buscar.-a doutora Carla era tambem nossa directora de turma ,dai estar a tomar aquela decisao sem consultar mais alguem.
-Não os preocupe doutora!Eles estão em negócios em Madrid!Eu ligo ao meu irmão e ele vem buscar-me!Continue com a sua aula.
-Tem a certeza menina?-ela mirava-me com preocupação.
-sim sim.Deve ser só uma indisposição.Vou para casa para ver se tomo algo mais forte.
-Está bom.
Levantei-me a arrumei tudo na carteira.A Rita e o resto das meninas olhavam-me incredulas pois sabiam que me encontrava perfeitamente bem.
-Depois vais-me explicar isso...-sussurou a Rita enquanto passava junto do seu lugar.Pisquei-lhe o olho e sai da sala.Percorri os corredores num passo acelerado e mal sai da escola desatei a correr.Só tive tempo de ir a casa,preparar o que necessitava e seguir até São Bento.
Corri desalmadamente até à cabine de compra onde uma senhora rechonchuda dos seus cinquenta anos me atendeu.
-Bom dia menina.
-Bom dia.
-O que deseja?
-Bilhete de ida e volta no próximo comboio.
-Destino?
-Lisboa.-mais convicta que nunca,soltei um sorriso que naquele momento poderia iluminar o mundo.
Espero que tenham gostado meninas e gostava que me dissessem o que estão a achar!
Agora com o inicio das aulas será mais complicado postar mas vou tentar fazê-lo o mais
rápidamente possivel!
Beijinhos!
Pipa





